sibila, sibilantemente silva
salva, supera, subjuga, sugere
sibila, sibilantemente silva
sossega, sonolenta, sossega
sibila, sibilantemente silva
saracoteia, sacode, salvaguarda
sibila, sibilantemente silva
somos suas, suadas, somos suadas
sibila, sibilantemente silva
seremos, sois, suave
sibila, sibilantemente silva
suástica superpõe, supra, super
sibila, sibilantemente silva
silenciosa sibila,
silenciosa sibila,
silenciosa sibila
salva... salva... salva...
salve... salve... salve...
DG
.
...e no silêncio da espera
engendrando quimeras
quimérica sinfonia
silente acorde
e acorda epifania
desperta na espera
revela-se quimera
antitética sinfonia
tétrica, acorde
desvela-se a epifania
reverbera eloquência
serpenteia demência
ricocheteia latência
redescobre carência
Impermanência
Impertinência
Inconveniência
Silencia... silencia... silencia...
DG
.
Emudeci-me...
confuso, sorriso mudo, perdi-te
emergindo você, dentre meus medos
cheio de dedos,
tornei a tomar-te
entornei-te de sonhos
negou-me... onírica
ilusão cegou-me
tateou-te
lâmina virgem
numa cinza nesga
vespertina
DG
.
Tic ___ tic ___ tic ___ tic ___
Tentei do tempo o 'tac' tirar
Para ver se com o tempo eu poderia
Não adiantou... E ele ainda ria
(Porque somente o tempo
tem o tempo que quer ter)
No entretempo, dissabores
Não entretem mais que engodo
Pois ainda que o ignores
O tempo 'es-tac-qui' o tempo todo
Tac-it-empo todo
Tac-it-empo todo
Tac-it-empo todo
DG
.
Quando voa o passarinho
Sabe lá se ele retorna
Ele volta pro seu ninho
E meu coração entorna
E meu coração entorna
Porque fica sem carinho
Ele nunca mais que torna
Nem pra ouvir meu murmurinho
Nem pra ouvir meu murmurinho
Ele nunca mais que torna
Pra saber que estou sozinho
Sabe lá se ele retorna
DG
Divagar o dia
Dê vaga ao dia
Devagar um dia
De vagar num dia
Vagar
Vai o dia
Que vadia
Que invadia
Quem vadia?
Vadia
Mais um dia
Sem taquicardia
Senta aqui um dia
Acercar ardia
Aceitar podia
Assentar
O dia
Odia-is
Odi-ais
O-diais
.
Você conhece a parábola que diz que toda informação precisa passar pelas "três peneiras" para avaliar se deve ou não ser propagada?
É mais ou menos assim. (As observações são minhas)
Essa história teria acontecido quando Augustus procurara por Sócrates para levar-lhe uma informação. Sócrates então teria indagado preambularmente:
1. A informação é verdadeira? - Augustus responde que "vieram contar-lhe, desconhece sua legítma procedência".
(Toda informação deve ser averiguada, para não difamar ninguém imerecidamente. Todo aquele que levar adiante informação inverídica deverá ser considerado igualmente um difamador e mentiroso.)
2. A informação remete à bondade? - Ao que se lhe responde que não.
(Se não for bom, se a intenção for meramente destruir a reputação de outrem gratuitamente, então quem a repassa não presta um serviço, antes, revela-se um maledicente frívolo.)
3. A informação possui utilidade? - Augustus, já envergonhado, responde novamente não ser útil.
(Se algo não for útil para alguém, se não for para edificar, servir como exemplo, ela somente serviria para demonstrar o caráter medíocre, leviano e fútil do propagandista.)
Concluindo, Sócrates sentencia:
- Então, disse-lhe o sábio, se o que queres contar-me não é verdadeiro, nem bom, nem útil, é melhor que o guardes apenas para ti.
Lembremo-nos todos nós: antes de repassar uma informação, será nossa reputação como ser humano íntegro que estará na berlinda; tão quanto ou mais do que manchar a imagem de pessoas alheias ao fato. Logo, saber de certas coisas não nos engradece; do contrário, nossa curiosidade pode ser nossa ruína, aquilo que nos aviltará diante de amigos e pessoas queridas.
.