quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Sorriso Cerrado (Poema)
não, eu não sei nada, não
nada pergunte não
seu moço, não me apoquente
e mais... pra dizer a verdade
fico aqui na saudade
fico a pensar numa gente
a que ficou lá pra trás
lá num tempo de paz
daquele povo contente
hoje, eu aqui só de boa
fico na espreita à toa
de um briho branco de dentes
mas, o que vejo é cerrado
sorriso anda amarrado
esse morreu para sempre (?!)
DG
.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Retrato (Song)
Então já foi
mas você nunca sairá de mim
como um retrato que não se apagou
teus beijos inda me lembram o amor
Reter você
nos pensamentos, julgar ser feliz
lembrar dos planos, como a gente fez
durar pra sempre, quem sabe, talvez
Não me esqueci
nossos momentos, um vinho, um jardim
nossas viagens por céu de neon
e aquela estrela que em nós já brilhou
Meu coração
por que foi mesmo que você o quis?
foi pra deixá-lo num canto de mar
ele perdido, não sabe se achar
DG
.
(Todos os direitos reservados - LEI N. 9.610 DE 19/02/1998. Reprodução sem prévia autorização proibida)
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
É você (Song)
O que eu sei
Que nada sei
Sobre você
Mas para quê?
Se é você
A me fazer
Assim feliz
Ninguém mais fez!
Só disse um oi
Só fez chegar
Se aproximou
Fez como o mar
Não quero mais
Saber de quem
Deixou o mal
Não quis o bem
E você foi
Pra mim alguém
Que trouxe amor
E foi além
Não perguntou
Se era bom
Acreditou
E se entregou
DG
.
(Todos os direitos reservados - LEI N. 9.610 DE 19/02/1998. Reprodução sem prévia autorização proibida)
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Plural (Poema)
Plural, múltiplo
Multifacetado,
desconhecido sou...
Não pergunte, não a mim
não saberei resposta
nenhuma resposta
a única que ta dou.
Quem você vê?
Quem vejo no espelho?
Num espelho? Nu espelho!
Quem vejo travestido?
Que pensamentos,
que ideologias...
O que são ideologias?
O que são pensamentos?
Serão lugares, coisas, pessoas?
E pensar em nada é alguma coisa?
Coisa nenhuma me segura
e todas as coisas que consolam, limitam...
E os medos, e as fortunas, e o destino?
Que são? Clausuras? Cárceres?
Onde estão?
Onde estão e quem são os personagens?
Quem é você, que diz coisas sensíveis?
Quem é você, que diz coisas horríveis?
Quem é você, que se contradiz da manhã à noite?
Quem é você, que não é o mesmo à tardinha?
E por que quer saber quem sou se nem ao menos te defines?
E nem nunca o fará!
Porque nesse dia morto estará
e já não será ninguém, ou será 'morto' então?
Então algo ainda ficará.
O único que é um dia,
é o único que já não poderá mais ser.
Porque nesse dia será
tão somente o que tudo rejeitaria...
DG
.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Absinto (Poema)
a poesia (o poético) inspira...
mas o tempo, esse implacável
quando não mastiga
em seu espaço imensurável
inteiros devora-nos
deglute
digere
apavora-nos
ao redor cavernoso
vago
despido
licencioso
encaracolam desejos
insopitáveis estranhamentos
indubitáveis esquecimentos
fragorosos fragmentos
de gente elemento
alimento do tempo
vagarosos pensamentos
vagar ossos
peso morto
abstrato
absorto
absinto
(ah! mas sinto
que a poesia [o poético] inspira
e aspira da estrada
a palavra perdida
do poema o verso
em reverso prospera
na estrofe a espera
se faz incontida
orienta a estrela
revela a saída
aquieta a ferida
e salva-nos à própria vida.)
DG
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quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Acontece (Poema)
a vida é algo inexorável... ela acontece...
ela vai acontecendo...
ela cresce...
cresce em história,
em estrada,
em estrados,
ela cresce...
e quando parece que só fez estragos,
esmorece,
carece,
esquece,
esquece-se,
leva pro espaço e mostra tudo outra vez
lá de cima,
tudo tão distante,
parece bastante
parece bonito,
parece não ser perigo,
depois,
ela arremessa,
arremete,
arremeda
e tudo uma outra vez se recicla e se repete
DG
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terça-feira, 6 de novembro de 2012
O que contar (Song)
Não via a hora bater
Já era quase sem tempo
Vem me aparece você
E afasta de mim qualquer pensamento
Transforma meus dias em puro tormento
Pois hoje chora no peito
As cordas do coração
Que tocam meio sem jeito
Buscando no meio da consolação
A vida que perde no amor a razão
Mas há quem diga na vida
Deve-se ter um amor
Que mesmo um'alma sofrida
Não deve viver lamentando sua dor
Vá em busca de ver e encontrar o que for
Mas a viagem que é dura
Já não aguento o pesar
Pra mim não tem mais ventura
Tem gente que nasce pra vida ganhar
Quem não foi feliz, não tem o que contar
DG
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(Todos os direitos reservados - LEI N. 9.610 DE 19/02/1998. Reprodução sem prévia autorização proibida)
(Todos os direitos reservados - LEI N. 9.610 DE 19/02/1998. Reprodução sem prévia autorização proibida)
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