segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Lágrimas (Poema concreto)






                O   O
                   ^
             C         L
       H                     Á
  O                               G
       R                      R
            A           I
                  M     
                  A
                  S
                    c
                     O
                      r
                        r
                         e
                           m




DG
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Tempo tempo tempo tempoooo (Poema)









E o tempo não se esgota quando quer falar de si. Promove debates, embates, achincalha-se para se autopromover.

Reduz, amplia, assume e some.

E o minuto da dor? E o minuto do micro-ondas? E o minuto na sala de espera?

Por que é tão maior que o minuto pra concluir uma prova? E quão reduzido é o minuto pra se arrumar? E esse minuto que antecede uma apresentação (ele voa)?

Que relógios contam o minuto quando o tempo está contra a gente? Que relógios milagrosos dão ao minuto 3600 segundos quando não precisamos dele e apenas um nanosegundo quando um tempo largo é tudo pelo que daríamos a vida?


perco um tempo
peço um tempo
posso um tempo
passa um tempo

pende o tempo
preme o tempo
parco o tempo
pinta o tempo

[ex]põe o tempo
[es]panta o tempo
[em]paca o tempo
[em]pala o tempo

DG
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Ca-O-s-ên-Cia (Poema)





ausência, mudez
desordem do que não está
do que nem pode ser
dedos que não acham superfície


abstracionismos
abstratos abismos
abre extratos de si mesmo


abranda tudo que se transforma
e amorna
amora silvestre, veneno


na ausência, cativo
presença, subversivo
fim que não começa



caos desde sempre
causa esse desdenhar
de coisas rotas
das rotas das coisas...



DG
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Breve reflexão sobre o amor

          riscos





         o risco do amor, de deixar o outro entrar, é que, uma vez dentro, ele pode...
         pode te ferir, pode usar o espaço que o afeto cedeu pra machucar... 
         é, pode acontecer e acontece... porque as pessoas são frágeis, porque
            falamos de amor, mas ñ estamos prontos para ele. 
            mas, então... que fazer? 
         deixar de correr o risco? deixar de abrir o peito? esquivar-se do 
         gume que te fará jorrar sangue? não.
            deixemos a dor cumprir-nos no tempo e não recuemos... 
         antes doer-se inteiro que anestesiar-se à custa da mediocridade. 
         apequena-se quem aproveita o amor para ferir, apequena-se... 
         mas... só sabe amar deste modo. Então...

          Por Alessandra Soares Cantero
          (fonte: alessandrateresa-ocd.blogspot.com/2011/09/riscos.html)


(reflexão que fiz após ler o post da minha amiga Alessandra acima)


como muita coisa nesse mundo vai mudando, alterando, perdendo e ganhando conotações, perdendo e ganhando terrenos estranhos... 
o amor, essa pequenina palavra bem equilibrada entre consoantes e vogais, morfologicamente tão comum, que começa com os lábios separados de si para se fechar na conclusão, ficando apenas um ruído surdo ao fim... (quase representa o sentido que se lhe dão os humanos)


amor é uma palavra e como tal deveria expressar um sentimento... não o faz.
não é culpa sua. não!
ela não tem culpa de ter sido criada. os homens geram filhos e não os orientam... o amor não foi orientado.


mas, como palavra de vida pública que é, todos fazem dela o uso que melhor lhe convier... e muitas, muitas vezes, convém apenas àquele que dela se apropria.
apropriar-se de uma 'palavra'? não! apropriar-se do que para ele - o sujeito - acredita que ela traduza ou expresse.


esse amor, apropriado, não deveria se chamar amor. Expropriam-na daquela que deveria ser sua única significação. podia chamar-se qualquer coisa. não amor. 
ou então, para o 'amor' tal qual eu penso é que deveria receber nome novo.


o amor dói quando não é amor, mas quando é empréstimo.
se o indivíduo entrega o que tem de mais precioso para o outro tomar conta - para apenas tomar conta! - ficará, incontinênti, cioso daquilo.
procurará vigiar, espiar sempre, exigirá balanços periódicos, satisfações dos atos impingidos àquilo que ao outro entregou com temor.


mas, temos já muito bem debatido e concluído que pessoas se unem a pessoas com interesses afins. e quem entrega o que de mais valioso possui a outro acreditando que o outro lhe cuidará com zelo tal como ele próprio o faria, esquece-se, muita vez, ignora completamente que o outro também possui algo muito valioso para o qual dispensará mais atenções.
amor não deveria ser assim.


amor é doação, é entrega, é dar ao outro aquilo que ao outro fará bem. se ele não usar de conformidade para a sua própria alegria, ele perderá a oportunidade única de ser feliz.


amores - tal como se pensa que o são - vêm e vão. o tempo todo passam pelas janelas de nossas existências. alguns entram e sentam conosco na sala de estar. poucos dividem nossas intimidades e nos acompanham para a cozinha ou outro lugar mais aconchegante. muito poucos ainda o merecem.


o amor - o que deveria ser o verdadeiro - é universal e está representado na doação que Deus nos fez ao conceder-nos a vida. o que fazemos dela, é responsabilidade nossa. Mas Ele não nos desacompanha. Se lhe darmos as costas, Ele ainda cuidará para que não sejamos atacados por traição. Se lhe negarmos o amor, ainda assim Ele não se machucará, porque o amor - esse sim - é maior que os sentimentos mesquinhos da posse e da exclusividade.

DG

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sábado, 17 de setembro de 2011

Camadas (Poema)






meus mesmos olhos
que afundam
aprofundam
interpretam
interpelam
desvelam
revelam


meus mesmos olhos
reconhecem
despem


artimanhas
barganhas
façanhas


de si para si


no tempo da minha ingênua idade
infância das mentes imaculadas
cria em olhos repousados na couraça


com o rompimento dessa inocência
o espírito perscrutando essência
em tudo que vasculha a nódoa ele acha


tua nobreza
e tua vileza
atadas num único e vicejante nó
não passam mais despercebidas
pois que integram toda a tua vida
sendo em camadas uma coisa só.


DG
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Esquece... repete (Poema)






a vida é algo inexorável... ela acontece...
ela vai acontecendo...
ela cresce...
cresce em história,
em estrada,
em estrados,
ela cresce...


e quando parece que só fez estragos,
esmorece,
carece,
esquece,
esquece-se,


leva pro espaço e mostra tudo outra vez
lá de cima,
tudo tão distante,
parece bastante
parece bonito,
parece não ser perigo,


depois,
ela arremessa,
arremete,
arremeda


e tudo uma outra vez se recicla e se repete


DG
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Re - ciclo (Poema)






tudo à to - a
numa boa
olhe pra trás
o que lhe dá?
só - ri - so


ri ago - ra
'stá de fora
do que um dia
sem alegria
o pranto fez


quando  pas - sa
tudo é  graça
você rechaça
e que só nasça
um ciclo novo


reciclo novo
reciclo novo
reciclo novo
reciclo novo

DG
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